MEU TEMPO DE CRIANÇA
Maria Verônica18/03/2026
Na noite passada perdi o sono,
procurei e não o encontrava;
no meu tempo de criança,
de repente eu estava
vendo a grande boiada
que na estrada passava.
Vi a casa de madeira,
o lugar onde eu morava;
bem perto, uma porteira
que o terreno separava.
Pra ver o gado passar,
pertinho dela eu ficava.
O meu irmão tinha medo
e começava a chamar:
“Vamos embora daqui,
pois o gado pode estourar!”
O boiadeiro dizia:
“Aqui estou pra viajar,
nós paramos nesta sombra
para o gado descansar.
A viagem é muito longa,
em breve nós vamos continuar;
daqui a sete ou oito dias
é que tornaremos a voltar.”
Já era de madrugada,
o sono não aparecia;
os meus colegas de escola
naquela hora eu via.
Recordei das brincadeiras
que nos davam tanta alegria:
“passar anel” e muitas outras,
uma brincadeira pra cada dia.
Brasil contra Alemanha,
quase sempre eu vencia;
foi o melhor tempo da minha vida,
e até hoje eu não sabia.
Meu pensamento está sem direção,
depois dos oitenta quer me governar;
fica querendo viver a infância,
sabendo que ela nunca vai voltar.
Fica pensando nos carros de boi
que lá na estrada eu via passar,
levando as colheitas tiradas da roça
para na cidade negociar.
Ainda ouço o grito do carreiro
chamando os bois pra te acompanhar;
meu coração perde o controle
e, de saudade, começo a chorar.
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Conheça a Dona Verônica -
Eu, Maria Verônica de Abreu Santos, nasci no dia 9 de abril de 1938, no povoado de Limas do Pará.…
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