Maria Verônica05/04/2026

Muitos gostam de dizer que o mundo de hoje está diferente, que o passado é que era bom, que não havia maldade nem violência como hoje. Isso é mentira.
Eu, com meus dez ou doze anos, me lembro muito bem de que havia vários homens — alguns já idosos — que eram maus para suas famílias. Eram conhecidos como cachaceiros, que batiam nas esposas com chicote, cinto, chutes, entre outras violências. Muitas ficavam em silêncio, porque, se falassem, apanhavam ainda mais. Outras não tinham para onde ir, nem podiam voltar para a casa dos pais.
Naquele tempo, não havia nenhuma lei de proteção, nem para mulheres, nem para crianças. Havia pais que chegavam em casa tontos, quase caindo, e batiam nos filhos com vara de marmelo até ela ficar toda quebrada.
Muitas vezes faltava comida; o café era feito com garapa. Só Deus sabe o que muitos passavam.
Hoje, você liga o rádio e escuta pessoas pedindo músicas para recordar e matar a saudade. Eu pergunto: saudade de quê? De espancar os filhos ou das chicotadas dadas na esposa?
Também existiam mulheres perversas. O marido podia fazer de tudo por elas, e ainda assim não recebia reconhecimento. Algumas batiam nos filhos como se fossem animais.
Até os animais sofriam muito naquele tempo. Eram chutes em cães e gatos. Os bois de carro eram extremamente maltratados, recebiam tantas ferroadas que berravam de dor, além das pauladas que deixavam o couro ensanguentado. Dava pena ver tanta judiação.
Estou falando do que eu vi. Gente má sempre existiu. Basta parar um pouco e pensar no que fizeram com Jesus, que só queria o bem das pessoas.
Por isso digo: está mentindo quem afirma que o passado foi melhor. Houve coisas boas, sim, mas também muitas coisas ruins. Sempre existiram pessoas boas e pessoas más — como hoje também existem.
Hoje em dia, vemos adolescentes, jovens e muitos casais que gostam de festas em sítios, bares e viagens. Tendo condições ou não, aproveitam a vida e, muitas vezes, gastam de uma só vez tudo o que ganharam em um dia de trabalho. Não sabem guardar um pouco para o dia seguinte.
Quanto a ser bom ou mau, isso geralmente é reflexo daquilo que se viu e se aprendeu em casa, com os pais.
Podem observar: no geral, muitas pessoas acabam se perdendo em vícios e caminhos errados. Rezar, visitar Jesus no Sacrário, hoje está fora de moda em qualquer idade, principalmente entre jovens e adolescentes. Apenas uma pequena parcela procura a Igreja.
É uma pena, pois Deus tem tanto amor por todo o povo do mundo.

a

Maria Verônica28/03/2026

O mundo está diferente,
cada dia uma novidade;
certas coisas pra melhor,
e outras são só maldade.
Quando Deus fez este mundo,
deixou o povo viver à vontade;
muitos vão para o bom caminho,
e outros praticam a caridade.

Muitas coisas que a gente fazia
hoje não pode mais fazer;
um estranho em sua casa
ninguém pode receber,
nem pra dar um copo d’água
ou alguma coisa pra comer;
até pra fazer uma doação,
você tem que conhecer.

Tudo era bom naquele tempo
quando na roça eu morava;
muitas pessoas desconhecidas
em nossa casa passavam,
pediam um prato de comida,
a gente nunca negava;
quando não tinha pronta,
depressa a mamãe preparava.

Alguns passavam e só pediam água
pra sua sede matar;
a sede é uma necessidade forte
que só a água pode saciar.
Recordo de um senhor nos falando,
após um gole de água tomar:
“Vocês, jovens, ainda verão
um copo d’água quanto irá custar.”

a

Maria Verônica18/03/2026

Na noite passada perdi o sono,
procurei e não o encontrava;
no meu tempo de criança,
de repente eu estava
vendo a grande boiada
que na estrada passava.
Vi a casa de madeira,
o lugar onde eu morava;
bem perto, uma porteira
que o terreno separava.
Pra ver o gado passar,
pertinho dela eu ficava.

O meu irmão tinha medo
e começava a chamar:
“Vamos embora daqui,
pois o gado pode estourar!”
O boiadeiro dizia:
“Aqui estou pra viajar,
nós paramos nesta sombra
para o gado descansar.
A viagem é muito longa,
em breve nós vamos continuar;
daqui a sete ou oito dias
é que tornaremos a voltar.”

Já era de madrugada,
o sono não aparecia;
os meus colegas de escola
naquela hora eu via.
Recordei das brincadeiras
que nos davam tanta alegria:
“passar anel” e muitas outras,
uma brincadeira pra cada dia.
Brasil contra Alemanha,
quase sempre eu vencia;
foi o melhor tempo da minha vida,
e até hoje eu não sabia.

Meu pensamento está sem direção,
depois dos oitenta quer me governar;
fica querendo viver a infância,
sabendo que ela nunca vai voltar.
Fica pensando nos carros de boi
que lá na estrada eu via passar,
levando as colheitas tiradas da roça
para na cidade negociar.
Ainda ouço o grito do carreiro
chamando os bois pra te acompanhar;
meu coração perde o controle
e, de saudade, começo a chorar.

a

Maria Verônica25/02/2026

Sempre ouvimos alguém dizer:
“amanhã eu vou viajar
para conhecer coisas antigas,
pra semana devo voltar”.
O que muitos buscam longe,
nós temos aqui neste lugar.
É só irem ao asilo de velhinhos
e com um deles conversar;
muitas histórias antigas
com certeza vão te contar.

Visitando um asilo,
levarás muita felicidade.
Você vai ficar sabendo
sobre os bairros da cidade,
o porquê de uma casa velha
ainda ter tanta validade.
O nome de cada rua
eles sabem, de verdade,
e vão querer também
falar da época da mocidade.

Você gosta de viagem?
Aproveite, viajar não é pecado,
enquanto você é jovem
e está sempre bem animado.
Depois que chega a velhice,
sentimo-nos mais cansados;
mas não esqueçam os idosos,
que muito têm esperado
alguém de boa vontade
para ouvir sobre o seu passado.

Muitos idosos menosprezados
um dia puderam te ajudar:
o lavrador, hoje velhinho,
te ajudou a alimentar;
o velho pedreiro esquecido
construiu para te abrigar,
fez escola para seus estudos
e igreja para você rezar.
O velho cruzeiro nos lembra:
Jesus morreu para nos salvar.

a

Maria Verônica21/02/2026

Depois do que me fez,
tirei você de circulação;
não vai mais circular
no meu coração.
Eu comprava seu amor
sempre a prestação;
um dia você conseguiu
pegar o meu cartão,
me deixou endividado
e em má situação.

Vou trabalhar dobrado
pra conseguir pagar
as contas que ela fez
por tudo quanto é lugar.
Cancelei meus cartões
pra ela não usar;
pode até passar fome,
eu nunca vou ajudar.
Até o meu carrão
eu tive que bloquear.

Agora chega,
não tem mais perdão.
Somente as mulheres
merecem proteção;
pode ser uma serpente,
ainda ganha razão.
Eu estou terminando
minha escravidão;
pra não morrer enfartado,
vou morar com a solidão.

a

Maria Verônica18/02/2026

Espalhei vários cartazes
na cidade e no povoado,
estou pedindo ajuda
para um amigo adoentado,
porque as suas lavouras
estão num mato danado.
Tentei fazer reunião,
mas foi tempo desperdiçado,
pois ninguém apareceu
para ajudar o coitado.

Não pedi nada de graça,
pelo serviço eu vou pagar;
nem assim estou conseguindo,
ninguém mais quer trabalhar.
No cartaz eu avisei:
pode ser de qualquer lugar;
eu busco de manhãzinha
e à tarde torno a levar.
Ele é um bom lavrador,
a doença veio sem avisar.

Eu espero que o povo
vá atender meu pedido,
e vamos limpar a lavoura
do amigo enfraquecido.
Temos que fazer o bem,
até mesmo aos desconhecidos;
aos que me ajudarem,
ficarei muito agradecido.
Sei que o amigo voltará a cuidar
quando já estiver fortalecido.

Tem alguns adolescentes
preguiçosos de verdade,
porém outros me procuraram
querendo fazer caridade;
mas o trabalho é proibido
para os menores de idade.
Querem ajudar e não podem —
Deus lhes pague pela boa vontade.
Vocês têm bom coração,
isso falo com sinceridade.

a

Maria Verônica15/02/2026

Gosto de baile na roça
nas noites de lua cheia;
nem precisa acender a luz,
porque a lua clareia.
Se a dama dança bem,
pode ser bonita ou feia;
a mulher pode ser gorda
ou ter corpinho de sereia.

Eu amo a minha vida,
gosto de ser como sou;
pra que sofrer duas vezes
recordando o que passou?
Se já chorei por alguém,
sei que alguém por mim chorou;
se nosso caso não deu certo,
ficar parado eu não vou.

Nossa vida tem tropeços
do começo até o fim;
Deus nos deixou coisas boas
que o povo insiste em destruir.
Você só pensa em você,
e eu penso só em mim;
ninguém ajuda ninguém,
e vamos vivendo assim.

Gosto de tocar viola
e cantar algum versinho;
eu procuro namorada,
pois ainda estou sozinho.
Sento embaixo da árvore
só pra ouvir os passarinhos;
sem destruir a natureza,
ali eles fazem seus ninhos.

a

Maria Verônica06/02/2026

Eu hoje estou fazendo
o que vinha planejando:
um dia voltar de novo
onde eu estive morando.
Só por luxo e vaidade
minha terra fui deixando;
fiz tanta besteira na vida,
só hoje estou notando.

Onde era a bica d’água,
todo o chão está trincado;
o brejo onde eu plantava
também virou cerrado.
Minha madeira de lei
tem galhos pra todo lado;
os troncos não encontrei,
alguém deve ter roubado.

Vou descansar um pouquinho
para melhor refletir
neste chão abençoado,
o lugar onde nasci.
Eu tenho toda certeza
que Jesus andou aqui,
guardando a minha terra —
por pouco não a perdi.

Com muita fé e carinho
tudo vou recomeçar;
quero limpar as nascentes
pra bica d’água voltar.
Me serviu de experiência
pra que fui procurar
coisas que não eram minhas,
desprezando o meu lugar.

a

Maria Verônica05/02/2026

Minha vida melhorou,
amigo, vou te contar:
as coisas não iam bem,
eu tive que me virar.
Falei com toda franqueza:
“nós temos que conversar”.
Você muda o seu jeitinho,
que o meu eu vou mudar.
Para Deus nós prometemos,
juramos em frente ao altar:
na saúde ou na doença,
um do outro vamos cuidar.

Bastante tempo de casados,
começamos a nos desentender;
perdemos a educação,
brigando pro povo ver.
Nossos filhos tinham medo,
corriam para se esconder.
Depois de muita conversa,
eu ouvi ela dizer:
“Nós não vamos mais brigar
para os filhos não sofrer;
se o problema é nosso,
juntos vamos resolver.”

Graças a Deus temos paz
e alegria para viver;
nossos filhos são a riqueza
que tanto nos dá prazer.
Trabalhamos sempre juntos
para a gente sobreviver;
se aparece algum problema,
nós tentamos resolver.
Aprendemos a dizer não
antes do mal acontecer;
com Jesus ao nosso lado,
tudo é fácil de vencer.

a

Maria Verônica13/01/2026

Dei no cravo e dei na rosa,
também dei no alecrim;
fez um barulho tão grande,
dei na dona do jardim.
Saudade de quem eu amo,
que me fez ficar assim;
quem já sofreu por amor
tem que dar razão pra mim.

Nasci na segunda-feira,
terça eu fui batizada;
quarta-feira tive amor,
quinta eu fui desprezada.
Sexta eu jurei vingança,
sábado eu tinha vingado;
domingo cedo eu fui presa,
de tarde eu fui perdoada.

Nasci pra ser amorosa,
amorosa de verdade;
quem eu amo não me ama,
não me traz felicidade.
Desprezo, quando não mata,
faz a gente padecer;
quanto mais tu me desprezas,
mais valor dou pra você.

Dei no cravo e dei na rosa,
também dei no alecrim;
fez um barulho tão grande,
dei na dona do jardim.
Saudade de quem eu amo
Que mim fez ficar assim
Quem já sofreu por amor
tem que dar razão pra mim.

Obs.: Poesia escrita por mim, Maria Verônica, quando eu participava de um Curso de Formação, na cidade de Florestal–MG, entre os 18 e 19 anos, preparando-me para ser professora.

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